As mãos de um escritor delineiam pela folha branca
Fazendo com que ganhe vida, construindo alicerces para um mundo paralelo aonde as vontades são concretizadas com o intuito de despertar imaginação. É a criatividade, é a mão, são os pensamentos que fazem de um escritor o que ele é, um deus da Criação!

sábado, 19 de março de 2011

Sombras do Sertão

A menina do sertão
Pede água, come caroço, mas cadê o feijão?
É farinha, água e pão...
Se é que o trigo nasce
Com essa segura, não brota nada
Nas rachaduras desse chão.

A mãe do sertão
Chora por fome, rala por uma vida que a consome
Sofre na miséria, mas não perde a esperança
De salvação.
É o pai que some, perde seu nome
Diz ser outro alguém em uma metrópole
Massacrada pela ideia de libertação

O filho do sertão
Chora por um pai que nem sabe
Se ainda é só seu, ou já outros
Já o têm como seu novo papai;
Ficando em desolação
A menina cresce em desordem
Em desnutrição
Com a mãe interpretando o lugar do pai
Chorosa, o filho deita-lhe a palma da mão
Sobre sua face, dando-lhe o único significado
Da palavra 'poder' que lhe é capaz:
A consolação

Alef Mendes Engler

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