As mãos de um escritor delineiam pela folha branca
Fazendo com que ganhe vida, construindo alicerces para um mundo paralelo aonde as vontades são concretizadas com o intuito de despertar imaginação. É a criatividade, é a mão, são os pensamentos que fazem de um escritor o que ele é, um deus da Criação!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Coração de Lata

Eu me feri,
Vi a bala me derrubar,
Sangrei, vi a bala me acertar
O ferro trincou;
Tentei provar que no fundo ainda sou 
Feito de carne e osso
Eu ainda sou humano
Não uma lata ambulante
Cuspida pelo vento e arremessada ao lixão.

Veja, as lágrimas que escorrem de mim não são restos de chuva 
Que me molham numa noite de domingo.
Não pense no que eu sou,
Pense no que eu me tornei 
Por dentro.
Por dentro eu sou a mesma pessoa, apenas sei que agora 
Fizemos as feridas, tentando cicatrizá-las com uma linha na mão e a agulha na outra
Mas, por mais que tentemos fechá-las, sempre levaremos as marcas.


Eu aprendi da maneira mais difícil a enxergar com meus próprios olhos e não com o seus.
Soletrei as vogais da traição.
Quantas mais terei de soletrar?
Poderia ter sido menos letras e mais paixão.
Vim e vir a bala derrubar o amor
Testemunhei sua morte em vão.
Andei, navegando, contra a corrente 
Fingi uma vida inteira e mostrei pouco mais de uma vez 
A verdade;


Talvez percebam que levo comigo a fragilidade 
De um menino de 12 anos;
Será que devo chorar e correr para a mamãe...
Espere! Aonde ela está?
Meus olhos fingem não lacrimejar
Sou um homem de lata, 
Mas onde deixei meu coração cair?
Será que o perdi na estrada dos tijolos dourados
Por fora  eu sou de ferro, mas por dentro 
Em meio as engrenagens, bate um coração
Um pouco enferrujado, um coração de lata, admito
Por isso não o encontrei de primeira 
Eu me vi errando, perdido em meus medos.
Porém acho que ele ainda bate lentamente;
Isso não é pecado, pois ainda bate
Cheio de sentimentos
Só que não mais por você.


Alef Mendes Engler


Nenhum comentário:

Postar um comentário